Quiseram diminuir o Palmeiras. Fora e dentro do clube. Quiseram
demitir Felipão. Fora, dentro, e nas redações. Quiseram minar o grupo
com bombas de efeito retardado. Quiseram. Mas não conseguiram. Querer
não é poder quando se tem a força de um Palmeiras.
O Palestra é enorme. Maior que os próprios erros. Muito maior que as
limitações de banco e de campo. Infinitamente superior aos que acham que
o futebol é uma ciência exata. Ou, em alguns casos, uma paixão clubista
imprecisa. Gente que acha que o Palmeiras se apequena tem miopia
histórica. Gigantes tropeçam. Caem para aprender a se levantar. O clube e
o time e a diretoria e a comissão técnica erraram demais nos últimos
tristes tempos. Mas nem eles conseguem diminuir paixão tão forte como a
que o levou além das limitações.
O Palmeiras foi grande na Copa do Brasil 2012. Foi Palmeiras. Superou
na decisão um Coritiba que pintava como favorito, e até foi melhor na
primeira partida, em Barueri – mas perdeu por 2 a 0, na única chance
palmeirense na primeira etapa, e, no segundo tempo, na bola parada
dinâmica de Marcos Assunção. O Coxa não conseguiu reverter a desvantagem
na finalíssima e foi um bravo bivice-campeão da Copa. Perdendo a
decisão para um ainda mais bravo bicampeão: o Palmeiras de Felipão.
Campeão em 1998 com uma Via Láctea armada pela Parmalat, que daria o
passaporte para a Libertadores enfim conquistada em 1999; bicampeão
invicto do torneio com um Palmeiras de vacas magras e elenco enxuto. Mas
vencedor. Como o clube.
Palmeiras que reconstrói o Palestra e, por ainda estar sem casa, é um
time errante e que erra demais. Muitas vezes tem se perdido. Mas se
encontra no palmeirense que o acolhe. Ajudando a reencontrar o caminho
que ninguém conheceu melhor no século passado. Verdão que estreou em
2012 vencendo duas vezes o Coruripe, mandando o segundo jogo em Jundiaí,
em mais um lar de aluguel, onde o time se sentiu em casa pelo
palmeirense que não escolhe lugar. Na fase seguinte, com dois gols de
Leandro Amaro, eliminou o Horizonte, no Ceará, por 3 a 1, cancelando a
volta. Nas oitavas, ganhou bem do Paraná por 2 a 1, em Curitiba, e
goleou por 4 a 0, em Barueri. Nas quartas-de-final foi prejudicado pela
arbitragem contra o Atlético, no Paraná, no empate por dois gols. Em
Barueri, convincente vitória por 2 a 0 sacramentou classificação para as
semifinais.
O Grêmio parecia favorito contra um Palmeiras que começara mal o
BR-12 depois de um pífio final de Paulistão. Mas dois gols nos últimos
minutos de Mazinho e Barcos em Porto Alegre deixaram o Verdão em ótima
condição para decidir em Barueri. Numa partida em que muitos não
conseguiram chegar ao estádio, de tanta gente que não tinha mesmo
cabimento no pequeno estádio para tamanha paixão, o Palmeiras superou a
violência do rival para empatar por 1 a 1 e voltar a uma decisão
nacional.
Superando as desconfianças internas e externas como grande que é.
Passando do céu ao inferno como Valdivia, que fazia tudo até se perder
por nada. Enorme como foi Bruno, da Academia de goleiros palmeirenses.
Eficiente como a dupla de zaga protegida por Henrique, testa quente como
o coração no Alto da Glória. Letal como a bola parada de mais um Marcos
que garantiu a Assunção verde. Decisivo como mais um Mazinho campeão
palmeirense. Histórico como um Betinho que só acertou uma bola. A do
título. Invicto.
Palmeiras que sofreu com joelho operado de Wesley, com apendicite de
Barcos, com tornozelo torcido de Maikon Leite, com Luan se arrastando
nos 20 finais, com Henrique superando tudo. Vários nomes muito comuns e
ainda mais próprios reescreveram com sangue, dor e amor a história do
Palmeiras duas vezes campeão da Copa do Brasil, oito vezes campeão
brasileiro, primeiro campeão da Copa dos Campeões.
Não foi por acaso. Sim por ser Palmeiras.

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