quinta-feira, 21 de maio de 2015

Dudu na “cova dos leões”

Como já era previsto a primeira instância do Tribunal de Justiça da Federação Paulista de Futebol puniu o atacante palmeirense Dudu com a pena mínima de seis meses pela agressão ao árbitro Guilherme Ceretta de Lima na final do Paulistão-15.
Difícil saber se o pleno do mesmo Tribunal manterá a pena quando julgar o recurso interposto pelo departamento jurídico do clube. A desconfiança é grande de que a pena será reduzida escrachadamente, sempre com justificativas esdruxulas.
O provérbio popular de que “da cabeça de juiz e de bumbum de neném nunca se sabe o que vai sair” tem muito a ver com as sentenças incoerentes que a Justiça Desportiva continua proferindo no Brasil. O próprio Dudu acabou sendo absolvido pelas ofensas que dirigiu ao árbitro após ser expulso e de te-lo agredido. Como pode ter sido absolvido de tudo o que ele falou?
Pela agressão ao santista Geuvânio, atitude que provocou sua expulsão e ira, o atleta do Palmeiras foi punido com um jogo apenas. Incoerência ou não? Assim pensam nossos auditores da Justiça Desportiva. Nem sempre uma boa defesa absolve ou uma péssima defesa condena. É mole?
Viram só o que a Comissão Disciplinar da Conmebol decidiu no episódio envolvendo Boca Juniors x River Plate? Eliminar o Boca da referida competição era o mínimo que se esperava, até pelo próprio indiciado, mesmo que esteja recorrendo com a intenção de jogar os 45 minutos restantes do jogo que foi encerrado com o placar de 0 a 0, empate que classifica o rival River.
Para a entidade que comanda o futebol em nosso continente a multa de 200 mil dólares é muito mais importantes do que excluir o Boca apenas desta Libertadores e fazê-lo jogar quatro jogos como mandante sem torcida e mais quatro jogos como visitante também sem teus torcedores.
Pelas imagens que rodaram o mundo e chegaram na FIFA, a punição imposta ao clube argentino é muito branda. Tanto é que já está circulando no noticiário esportivo europeu que a Conmbebol perderá uma vaga de classificação para a Copa do Mundo.
A FIFA, já há algum tempo, vem sendo pressionada para que o quinto colocado nas eliminatórias sulamericanas não dispute a repescagem contra o representante da oceânia. Politicamente, uma redistribuição de vagas vai ser benéfica para Blatter se manter no poder por mais alguns anos.
Parece que, sem Ricardo Teixeira, morto politicamente (?) e sem Julio Grodoña, falecido, atrapalhando seus planos o atual mandatário está tratando nosso continente de acordo com a competência que a Conmebol tem demonstrado na organização dos seus campeonatos.

Um técnico de outro mundo

O velho cartola saiu para mais uma viagem do futebol. Sete da manhã já chegava. Tão cedo em outro país. Táxi, hotel e o encontro. A conversa deveria ser objetiva, mas o treinador tinha muito que mostrar. A começar pelo drone. Jogadores em campo sobe o moderno aparelho e tudo passa a ser gravado e visualizado de cima.
Orientações táticas detalhadas, individuais e em bloco e o momento da checagem. Sobe um telão no fundo do campo e as imagens do drone são exibidas. As correções são feitas. O trabalho coletivo, ou alguma movimentação, não saíram como se esperava. Sobe o drone e o treino segue. Há uma filosofia em cada movimento. Não é o cada um por si. É o  todo. Você pode até bater certo na bola, fazer a marcação correta, mas estar no momento errado.
Difícil entender? Sobe o telão de novo e as novas imagens do drone são vistas e, na insistência no erro, um joystick entra em ação. Os jogadores entendem essa linguagem. Usam joystick desde criança. Agora o movimento é feito pelas setas e fica bem claro o que o treinador quer. O meio campista, que tinha dúvidas, sabe, por fim, exatamente o que fazer. Sobe o drone de novo e depois de assistirem a tudo, outra vez no telão, fica claro, que o treinamento tático, daquela manhã, foi assimilado. Foi tudo rápido e intenso. A tarde tem mais. Da mesma forma rápida e intensa.
A equipe do treinador está fazendo o mesmo trabalho com as outras categorias. A instrução tática não muda. O jeito de jogar é bem nítido na cabeça do garoto de 12 anos ou do veterano de mais de 30. Sabendo que o dirigente é brasileiro um  laptop com informações detalhadas do Brasil é mostrado, agora. E com dados incríveis, do time do cartola. Aquilo está lá faz tempo. Jogos do Brasil são vistos e gravados como rotina. Qualquer time está bem mapeado. Hora do  almoço. Trocam idéias e o sonho de consumo fica revirando a cabeça do visitante. Ele parece uma criança numa loja de brinquedos, ou um adulto dentro de um carrão importado. Quanto custa esse sonho? O preço é compatível. A viagem de volta foi, literalmente, nas nuvens.
As 23 horas, em casa, ele era outa pessoa. Seus conceitos, seus objetivos, seu jeito de ver futebol mudaram, completamente, nas pouco mais de 15 horas de viagem. Dias depois a frustração. Não será possível fechar negócio. Segue a vida rotineira do Brasil. Só que ele mudou. Depois de tudo, que vivenciou, quer algo grande, próximo do que viu naquela viagem. Não tem como dormir em paz com menos.
Vai ao jogo. Em campo seu time é um sono. Nada funciona, o ritmo é tão lento que ele cochila. No sonho sobe um drone, ergue-se um telão, usam-se joysticks. A velocidade de jogo, naquela pequena cochilada, é muito forte e vibrante. Tem coisas que é melhor não conhecer. Quem não conhece não sente falta. Mas depois de saber que existe, fica quase impossível o convívio com a mediocridade.
NOTA DO BLOGUEIRO: A história acima parece de ficção. Mas não é. Ocorreu na semana passada.

Esclarecimento aos bem amigos

Djalma Vassão/Gazeta Press

Em virtude da repercussão da entrevista que concedi ao meu querido Menon, na UOL, permita-me o amigo esclarecer alguns pontos que podem ter ficado flutuando na imaginação do leitor.
Antes de mais nada, a respeito de minha saída do Sportv, devo enfatizar que o Galvão Bueno nada, rigorosamente nada, teve a ver com minha decisão. Ao contrário, tanto ele quanto o Marquinho Mora, diretor da Globo em São Paulo, que me levaram para o Bem, Amigos sempre foram parceiros de todas as horas, assim como o Ingo, o Cereto, o Roger e toda a turma com quem dividi participações, inclusive no extinto Arena. Por eles, tenho todo o carinho, respeito e agradecimentos pela forma companheira com que me trataram nesses últimos dez anos de atividade naquela casa.
Quero esclarecer também que não guardo mágoas ou rancores de ninguém lá. Falo de coração aberto. Pois, entre outras lições do meu velho pai, guardei uma que sigo à risca: rancor dá câncer. Um ou outro, ainda passa. Mas, só.
Já vivi o suficiente para saber que as coisas são assim mesmo: ora, as fadas te embalam; ora, os demônios te tocam. Não há vilões, nem heróis.
Na verdade, se o amigo me perguntar quem não gostava de mim ou de meus serviços lá, sou incapaz de responder. Pra mim, trata-se de uma sombra pairando lá no alto.
Na verdade, nem funcionário da emissora era. Prestava serviços, recebendo um dinheirinho por participações nos programas.
E estava bem, até me sentir incomodado o suficiente pra tirar o time de campo. Nada dramático, sem um pingo de épico gesto ou coisa do gênero. Apenas troquei de camisa, como faço todos os dias, ao longo dos mais de cinquenta anos que exerço a profissão de jornalista em todos os níveis e funções, dos mais modestos aos mais ilustres.
Aqui entre nós, se há algo que lamento mais profundamente é deixar de participar daqueles jantares parceiros e intermináveis no Lellis, às segundas-feiras, depois do Bem, Amigos. De resto, é vida que segue, como diria o velho Guima, enquanto ainda houver.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Goleada verde, mas...

Djalma Vassão/Gazeta Press

A ideia talvez fosse poupar Robinho, um dos principais jogadores do Palmeiras nesta temporada. Poupou-nos, isso sim, durante todo o primeiro tempo, de vermos um Palmeiras ativo e incisivo, embora tivesse a bola a seus pés com frequência. Mas, como não conseguia evoluir, sobretudo pela imobilidade de Amaral, o Sampaio Correia, time bem armado defensivamente, foi lá: bola com Pimentinha, o ardido canhotinho da direita, que fez dois defensores palestrinos rebolarem antes de cruzar na medida para a cabeça de Diones: 1 a 0.
No intervalo, Oswaldo de Oliveira desfez o malfeito, trocou Amaral por Robinho, e o Palmeiras despejou um caminhão de melancia sobre os maranhenses. Aos 11 minutos, já havia virado o placar, com gols de Vítor Hugo e Cristaldo, em jogadas iniciadas por Robinho. Coube a Zé Roberto, em passe de Dudu que se aproveitara de falha na saída de bola do adversário, ampliar. O mesmo Zé Roberto que perderia cobrança de pênalti em Dudu, resgatada no ato por Kelvin, no rebote do goleiro, e que fecharia o placar, de cabeça num exato cruzamento de Egídio, já nos acréscimos: 5 a 1.
Mas, cuidado com o andor, pois no meio dessa chuva de gols, o Sampaio Correia meteu duas bolas nas traves de Fernando Prass, que, por sua vez, havia feito defesa milagrosa, em cabeceio de Robert.
Assim, o Palmeiras segue na Copa do Brasil, mas precisa ficar de olho naquela zaga, que anda fazendo água. No Brasileirão, o buraco é mais embaixo, meu.