terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

No futebol, o mal sempre vence

AFP
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Corria o ano de 1995. Uma transferência insignificante do futebol europeu mudava a história do esporte, para sempre, em todo mundo. O desconhecido Jean-Marc Bosman, do Liége da Bélgica, recebeu proposta de um time menor da França, o Dunquerque, à época na Terceira Divisão. Não estava mais nos planos dos belgas, mas, reclamão,  criaram problemas para liberá-lo, solicitando impagáveis, para o Dunquerque, um milhão e 600 mil euros. Bosman, contra todas as previsões, foi à Justiça. E seguiu até a Corte Européia. Lá, alegando necessidade de liberdade para trabalhar livremente, ganhou a ação. Virou jurisprudência.
Hoje atletas ganham fortunas com contratos espetaculares. O jogador de futebol passou a ser pago regiamente e vai jogar onde bem entende. A Lei da Liberdade do Futebol, ganhou o nome de Lei Bosman. Entrevistei o belga quando veio ao Brasil. Fiquei emocionado. Sabia que falava com um personagem histórico. O tempo passou e não se falou mais dele. Mas os efeitos da Lei permitem que jogadores geniais exijam seus direitos sem receios. O Real Madrid paga cerca de 60 milhões de reais por ano a Cristiano Ronaldo. Gareth Bale leva 36 milhões. O brasileiro Marcelo passa de 13 milhões de reais por ano e até o jovem Casemiro tem direito a 4 milhões de reais, anualmente.
Atletas bem pagos e com liberdade. Os contratos acabam e eles estão livres. Se alguém pagar a multa estipulado, leva quem quiser, desde o craque queira. Tudo por causa da briga de Bosman na Corte Europeia. Aí li, no competente blog O Mundo é uma Bola, matéria do jornalista Alex Sabino, sobre aquele, que deveria ser o herói dos boleiros de hoje. E fiquei assustado. Bosman, 20 anos depois de abrir caminho para todos os futebolistas do planeta, está absolutamente só. Nunca mais foi aceito por clubes e não frequenta estádios. A pressão levou-o ao alcoolismo e, através dele, a problemas familiares e condenação a três anos de detenção por agredir a filha de sua esposa. Bosman , que fez o bem, está fora de combate.
Foi assim  lá atrás com Afonsinho. Sócrates também incomodou e teve dificuldades e Paulo André precisou aceitar exílio na China, só para citar alguns. No futebol tentar algo de bom custa muito. As coisas do mal sempre prevalecem. João Havelange passou a Fifa para Blatter, que manda em tudo. No Brasil ele inventou Ricardo Teixeira, que ressucitou José Maria Marin, que repassou a CBF a Marco Polo Del Nero, invenção de Eduardo Farah. Até Eurico Miranda está de volta. Eles sempre estão por aí. O futebol é bem estranho. Minha avó dizia que o bem sempre prevalecia sobre o mal. É que ela não entendia nada de futebol.

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