
O velho cartola saiu para mais uma viagem do futebol. Sete da manhã já chegava. Tão cedo em outro país. Táxi, hotel e o encontro. A conversa deveria ser objetiva, mas o treinador tinha muito que mostrar. A começar pelo drone. Jogadores em campo sobe o moderno aparelho e tudo passa a ser gravado e visualizado de cima.
Orientações táticas detalhadas, individuais e em bloco e o momento da checagem. Sobe um telão no fundo do campo e as imagens do drone são exibidas. As correções são feitas. O trabalho coletivo, ou alguma movimentação, não saíram como se esperava. Sobe o drone e o treino segue. Há uma filosofia em cada movimento. Não é o cada um por si. É o todo. Você pode até bater certo na bola, fazer a marcação correta, mas estar no momento errado.
Difícil entender? Sobe o telão de novo e as novas imagens do drone são vistas e, na insistência no erro, um joystick entra em ação. Os jogadores entendem essa linguagem. Usam joystick desde criança. Agora o movimento é feito pelas setas e fica bem claro o que o treinador quer. O meio campista, que tinha dúvidas, sabe, por fim, exatamente o que fazer. Sobe o drone de novo e depois de assistirem a tudo, outra vez no telão, fica claro, que o treinamento tático, daquela manhã, foi assimilado. Foi tudo rápido e intenso. A tarde tem mais. Da mesma forma rápida e intensa.
A equipe do treinador está fazendo o mesmo trabalho com as outras categorias. A instrução tática não muda. O jeito de jogar é bem nítido na cabeça do garoto de 12 anos ou do veterano de mais de 30. Sabendo que o dirigente é brasileiro um laptop com informações detalhadas do Brasil é mostrado, agora. E com dados incríveis, do time do cartola. Aquilo está lá faz tempo. Jogos do Brasil são vistos e gravados como rotina. Qualquer time está bem mapeado. Hora do almoço. Trocam idéias e o sonho de consumo fica revirando a cabeça do visitante. Ele parece uma criança numa loja de brinquedos, ou um adulto dentro de um carrão importado. Quanto custa esse sonho? O preço é compatível. A viagem de volta foi, literalmente, nas nuvens.
As 23 horas, em casa, ele era outa pessoa. Seus conceitos, seus objetivos, seu jeito de ver futebol mudaram, completamente, nas pouco mais de 15 horas de viagem. Dias depois a frustração. Não será possível fechar negócio. Segue a vida rotineira do Brasil. Só que ele mudou. Depois de tudo, que vivenciou, quer algo grande, próximo do que viu naquela viagem. Não tem como dormir em paz com menos.
Vai ao jogo. Em campo seu time é um sono. Nada funciona, o ritmo é tão lento que ele cochila. No sonho sobe um drone, ergue-se um telão, usam-se joysticks. A velocidade de jogo, naquela pequena cochilada, é muito forte e vibrante. Tem coisas que é melhor não conhecer. Quem não conhece não sente falta. Mas depois de saber que existe, fica quase impossível o convívio com a mediocridade.
NOTA DO BLOGUEIRO: A história acima parece de ficção. Mas não é. Ocorreu na semana passada.
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